domingo, 21 de fevereiro de 2010

outro sonho


O menino corre para fora da casa, segue o rastro daquela que não consegue alcançar.
olha para os lados, suspira, volta a correr,
os campos verdes saturados refletem nas roupas brancas ao vento, a luz magicamente muda o conceito e as cores das coisas.
O menino corre para as árvores, estranhamente não estavam ali, agora são eloquentes o bastante quanto os campos verdes saturados.
O menino ouve as palavras do campo, inocente, se emociona, se impressiona.

Agora ele já consegue ver a menina,
que esta, já não se distingue das belas árvores que emanam ali.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Somos um


Te vejo aqui, aqui
Olho, olhe, penso, pense
Não me reconheco, não me importo
Me arrancou, onde, você, mim
Fale comigo, verdades, verdades, verdades
Não sinto, eu, você
Se eu pudesse, se você pudesse
Me olhe, me ajude, abrace
Corra, vá embora, chore
Volte
Não pergunte
Sinta, sinto, olhe, vejo

Fique.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Limpeza e Progresso

Acesso por progresso, troca estimadora. Ler qualquer palavra, visualizar alguma imagem é pedir para ter uma respiração mais profunda. Leitura e visualização são evitados, por cuidado e respeito ao ser neurose. O contato visual é impactante, presencial nem levo em conta o que seria.

Preencher desvaziar.
Encher para o vazio de todos os pensamentos referentes a causadora da minha falta de fome.

O verde, o preto e o xadrez ainda permanece posicionado como sujeira.

Acesso sujeira, sujeira ao acesso, menos acesso.
Quero progresso.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Semanal


O sol sem despertar, o relógio despertando, a água gelada e o café fervendo. Bom dia apressado, amarrotado e o primeiro ônibus. O pingado em um gole, horário sem tolerância, sem compreensão. Catraca, crachá, acesso permitido, acesso restrito. "Bom dia ! Bom dia !" Pela média e educação.

Passa horas até o banho maria, o vapor e a razão do segundo horário mais aguardado, estampado claramente no rosto sujo o contentamento de estar nas mesas mais preenchidas. Uma piada sem graça, o futebol, o alheio, o filme de ação, o automóvel e o cotidiano, consegue distrair e arrancar dentes aos berros de uma gargalhada. "Tarde sô !" Sai o homem pesado com o sono nas costas, para mais algumas horas.

Mais força e movimentos até o sol anunciar mais um dia com o seu descanço.
Ele se foi, o seu calor já não toca os póros.

Amarrotado da roupa ao rosto o homem se vai. Banho e xampu, o jantar, o telejornal e a telenovela. Boa noite, sem força, o despertador ajustado, o creme dental e a escova.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Peso decisório


Cordas, objetos perfurantes, remédios, altura, excessos...

São alguns pontos de parada da viagem longa, que o deixou feito judas malhado no poste da periferia que tinha costumes. O peso do mundo nas costas e avaliação de tudo e todos.

Mais algumas horas serão consumidas, até decidir em qual ponto parar, ou se deve parar.

Enquanto isso, carros iluminam um pouco mais as cortinas do quarto do individuo entre quatro paredes, sobre luz do abajour e no reflexo do espelho velho rachado. Os carros seguem sua trajetória sem ponto de parada talvez, afinal, ninguem sabe quem está no interior de cada um dos automóveis.

Noite fria, copos com grandes doses e cigarros, muitos cigarros.
Disco, lado A e lado B nos acordes e estrofes amargurantes e prazerosos que tocou até ali.

Tocou a campainha.
Está decidido.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um brinde


Um brinde,

para o ceticismo e a falsa conduta das pessoas,
para a falta de ética, respeito, ética, respeito, ética, respeito..
para o egocentrismo exagerado, escancarado,
e o soco que precisaria ser dado,
um brinde para meus irmãos, meus filhos e minha família.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Veneração


Aquilo que eu jamais conseguirei alcançar estava na minha frente,
não era fácil de acompanhá-la, mas o caminho estava confuso,
as luzes iam passando e eu não saberia dizer se estava próximo,
refletindo agora, o sentimento poderia ter sido mais do que pavor, apesar de eu saber que aquela mulher eu seguiria pelo resto da vida.

eu alcançei,
ela parou,
eu continuei,

o desespero necessário veio,
senti um certo conforto, não fiquei constrangido, nem com vontade de resistir, tampouco com remorso de não me desculpar.